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A Capital do Mundo no Terceiro Milênio

segunda-feira, 2 de maio de 2011

SAUDADES DO NADA (ABORTO / ABORTION)

Lágrimas da consciência
Formam palavras tristes
Na lápide imaginária
Sobre a lata de lixo,
O túmulo de um feto:

“Aqui jaz o que não nasceu,
Uma idéia que morreu
Antes de poder pensar,
Uma flor que soçobrou
Sem ter possuído raiz”.

O Sol, em protesto,
Escondeu a face;
O vento uivou, sentido,
No escuro da noite doente;
E o mar, inconformado,
Rangeu as pedras na praia.
Até uma pequenina flor
Chorou triste orvalho...
Tudo, porém, de nada adiantou.
Nas mãos do 'livre arbítrio'
Morreu a esperança:
Inconseqüência covarde
De vida consciente
Sobre vida indefesa.
Pior do que morte com dor
É morte sem ter visto a vida.

Sopro errante e triste
Nos ventos do universo:
Não pediu para nascer,
Mas certamente não queria morrer
Sem ter nascido.

Augusto José Honorio de Almeida