Formam palavras tristes
Na lápide imaginária
Sobre a lata de lixo,
O túmulo de um feto:
“Aqui jaz o que não nasceu,
Uma idéia que morreu
Antes de poder pensar,
Uma flor que soçobrou
Sem ter possuído raiz”.
O Sol, em protesto,
Escondeu a face;
O vento uivou, sentido,
No escuro da noite doente;
E o mar, inconformado,
Rangeu as pedras na praia.
Até uma pequenina flor
Chorou triste orvalho...
Tudo, porém, de nada adiantou.
Nas mãos do 'livre arbítrio'
Morreu a esperança:
Inconseqüência covarde
De vida consciente
Sobre vida indefesa.
Pior do que morte com dor
É morte sem ter visto a vida.
Sopro errante e triste
Nos ventos do universo:
Não pediu para nascer,
Mas certamente não queria morrer
Sem ter nascido.
Augusto José Honorio de Almeida