Que conosco sonhou nos tempos idos
Em que eu murmuramente em teus ouvidos
Cantei do amor a clássica cantiga?
Ontem, dia ao romper, passos perdidos,
Na solidão da dor que me castiga,
Eu quiz rever os nossos bens queridos,
Eu fui rever essa janela antiga...
E então, tudo lembrando de repente,
Alma em preces e lágrimas desfeita,
Puz-me a fitá-la comovidamente...
Uma gota de orvalho resvalava...
- E eu tive a ideia nítida, perfeita,
Que era a própria janela que chorava!
Campos, setembro de 1932.
JOSÉ HONORIO DE ALMEIDA
Um presente especial para JULIA ALMEIDA,
Pelo seu aniversário de 16 anos.
Essa poesia, do seu avô, era repetida sempre por
ADÉLIA AMARES, sua avó.
Parece que foi muito apaixonada,
Em época de amor sincero e profundo.
Um beijo carinhoso e a bênção do seu pai,
AUGUSTO HONORIO
