Ao meu querido pai Augusto José,
Capitão de Mar e Guerra. Fuzileiro Naval. Comandos Anfíbios. Batalhão de Operações Especiais.
Ao meu querido pai,
Comandante HONORIO.
Comandante HONORIO.
Quem me ensinou a nadar. Quem me ensinou a ser forte e a lutar pelo que desejo. Que me ensinou a não abaixar a cabeça. Aquele de quem eu tenho quase a cor dos olhos, a parte mais forte da semente. À este homem fortge, que sempre disse que dele herdei a inteligência.
Ao meu pai, que foi muitos, que tanto mudou, mas que ainda possui a mesma essência. Que sobreviveu na selva. Que se tatuou em 1970, em sua viagem de ouro da Marinha, em Berlim. Que ficou preso no navio pela tatuagem, por duas semanas, como punição. Ao meu velho pai, que viajou em cima de uma moto, por toda a América do Sul. Que fugia do Colégio Naval, nadando em mar aberto até Niterói. O qual me ensinou a poesia e o gosto musical. O qual trocou sua guitarra em uma lambreta. Foi paraquedista. Foi filho. Foi neto. E foi pai, de sua maneira.
De meu pai, tenho a honestidade de propósitos, a coragem moral e a dignidade. Que jogou sinuca. Que vestiu seus ternos. Que usou suas armas. Que passou por experiências que metade dos seres humanos não conseguiriam. Que se viu como homem, diante da privação de alimentos, em plena selva Amazônica. Mergulhado em rios, sem poder dormir. Quase cochilando, com um fuzil embaixo do queixo. Que teve que comer vermes do tronco de árvores. Que comia limão com casca, por ser o único alimento que ali havia. Que foi tantas e tantas vezes, primeiro lugar em seus cursos. Que não teve outra opção, além de ser forte. E ao mesmo tempo, assistia comigo a Bela e a Fera. Aquele para quem, tantas vezes chorei em frente. E tantas vezes me mostrou o caminho, com seus argumentos de uma vida intensamente vivida.
Algumas vezes, o lobo do mar chorou. Muitas outras sorriu, com suas piadas sarcásticas. Colocou em prova os namorados que tive. Nada escapou aos seus olhos duros e antigos. Falou que a vida realmente começava aos quarenta, enquanto dirigia rápido, ao meu lado na avenida. Aquele que mesmo atualmente morando em outro estado, atende minhas ligações e diz:"- O que foi, bem?". Aquele que ora por mim, na sua atual fase de vida. E inicia suas cartas partindo de : Universo, e data. Não lhe digo pelas convenções sociais deste dia. Lhe digo pelo amor existente em meu peito, encarnado neste homem. E com ele, aprendi que é preciso perdoar, todos os dias. Porque a vida passa, rápido.
Eu estou em você, e você está em mim.
Eu estou em você, e você está em mim.
Para meu herói, porque é um combatente, um sobrevivente. E mato e morro por você. Você será sempre meu querido pai, que ouvia Barão Vermelho. E colocava seus soldados para brincar de Barbie comigo.
Minha lei, meu porto seguro.
Homem de Deus,
Eu o amo, com todo o meu coração.
Sua filha,
Andreza.
"Dai-me, Senhor meu Deus, o que Vos resta;
Aquilo que ninguém Vos pede.
Não Vos peço o repouso nem a tranqüilidade,
Nem da alma nem do corpo.
Não Vos peço a riqueza nem o êxito nem a saúde;
Tantos Vos pedem isso, meu Deus,
Que já não Vos deve sobrar para dar.
Aquilo que ninguém Vos pede.
Não Vos peço o repouso nem a tranqüilidade,
Nem da alma nem do corpo.
Não Vos peço a riqueza nem o êxito nem a saúde;
Tantos Vos pedem isso, meu Deus,
Que já não Vos deve sobrar para dar.
Dai-me, Senhor, o que Vos resta,
Dai-me aquilo que todos recusam.
Quero a insegurança e a inquietação,
Quero a luta e a tormenta.
Dai-me isso, meu Deus, definitivamente;
Dai-me a certeza de que essa será a minha parte para sempre,
Porque nem sempre terei a coragem de Vô-la pedir.
Dai-me aquilo que todos recusam.
Quero a insegurança e a inquietação,
Quero a luta e a tormenta.
Dai-me isso, meu Deus, definitivamente;
Dai-me a certeza de que essa será a minha parte para sempre,
Porque nem sempre terei a coragem de Vô-la pedir.
Dai-me, Senhor, o que Vos resta,
Dai-me aquilo que os outros não querem;
Mas dai-me, também, a coragem
E a força e a fé."
Dai-me aquilo que os outros não querem;
Mas dai-me, também, a coragem
E a força e a fé."
(Oração encontrada no corpo do aspirante paraquedista ZIRNHELD, das Forças Armadas Francesas Livres, morto em combate).
Andreza em Cádiz, na Espanha...
... e 15 anos depois na Barra, Rio.
"Eis que estou à porta e bato;
Se alguém ouvir a minha voz
E abrir a porta,
Entrarei em sua casa
E cearei com ele,
E ele, comigo."
(APOCALIPSE 3.20 ARA)

